Boa tarde, camaradas! Camarada Szepesi,
chegou a ordem de despejo. Por favor, junte suas coisas e deixe
a hospedaria em dez minutos. – O quê, senhora?
– A ordem já chegou. Por favor, junte suas coisas. – Eu? Sair?
– Sim, junte suas coisas. Moro aqui há dezoito meses,
às vezes, criando confusão… fazendo coisas estúpidas,
mas sempre respeitando as regras. Entenda que tenho os meus problemas,
senhora. Não vou viver na rua! Isso não é assunto meu. Certamente, não é assunto seu. Por favor, pegue suas coisas
e deixe a hospedaria. Não, amigo, o que me importa é que
você vá embora. – E se eu ficar?
– Então tomaremos medidas mais sérias. – E quais são essas medidas?
– Chamarei as autoridades. Por favor,
não insista e junte as suas coisas. – Sárika, Sárika!
– Não me chame de Sárika, sou a gerente! – Tudo bem, senhora…
– Eu também não sou senhora! – Para onde você irá? É assombroso!
– Veja, camarada, estão me expulsando. Será que este senhor deve passar a noite
em alguma porta? Estão me jogando como lixo! Se os seus companheiros permitirem,
você pode passar a noite. Saia pela manhã. – Tio Tibi, qual é a situação?
– Te falo qual é. Misike, por Deus, lembra
daquele motor? Aquele pequeno motor de 2.5 watts. Sei que você se lembra, meu filho. Os outros não devem
me escutar, mas nós o roubamos juntos. Nós bebemos os seiscentos? Bebemos? Me diga pelo amor de Deus! Isso é verdade,
mas como continua a história? Não te trairei irmão,
mas podem fazer isso comigo? Estão me chutando daqui! Eu não posso fazer isso! Dando a volta ao
mundo por quatro anos! Estou velho, minha pensão já está
pendurada pela orelha. Não se pode incomodar um homem assim,
rapaz! – Tio Tibi, sabe o que eu penso?
– O quê, filho? Que você deve ter aprendido
a roubar nesses quatro anos. O quê? Me disseram que você me traiu. Que você é o espião, seu miserável. – O que você acha agora?
– Por favor, não fale comigo assim. – Sei que você é mais forte, camarada.
– Irmão, por favor, fique calmo! – Não interfira!
– Você tá brincando? Você me deve! Quando eu assinava os papéis,
você me pediu dinheiro emprestado! – Vou acertar em breve
– Vai nada. Você não deve a eles, deve a mim! Sim, sim. – Eu assinei…
– Eu não te devo, devo ao estado! Sim, mas se você não paga… Você gasta seus dias
somente bebendo e bebendo… Deus te amaldiçoe! Não seja tão cruel! – Não brinque comigo!
– Você é que não brinque comigo! – Olha isso!
– Não pense que eu sou um palhaço! Eu não penso isso!
Veja, seu maldito verme! Veja! Eu pago a cada um! Está vendo? Sim, e quem pagará o restante? – Não, Deus todo poderoso! Eu vou pagar!
– Qual é a garantia? Estes cabelos brancos! – Escuta!
– Meus cabelos brancos, meu filho! – Isso não significa quase nada.
– Eu sou honesto e sempre serei. Pare de artimanhas,
senão você vai se machucar. Você é como um anjo! Não fui bom para você
na semana passada em Balaton? Não era você que estava lá.
O que você quer com isso? O que quero com isso?
Eu paguei e seguirei pagando. – Sou um cavalheiro. Nasci cavalheiro.
– Agora você vem, furtivamente… – Um cavalheiro.
– Sim, um cavalheiro. Trabalhador. Um cavalheiro? E os camponeses proliferam naturalmente,
como cogumelos. – Eu não sou um camponês.
– Você é um camponês, acredito. – Como cogumelos?
– É o que te digo. Rato! Eu vou pagar!
Vou pagar, seu miserável! Não me pague, pague ao banco
para que me deixem em paz. – Então tudo ficará bem.
– Bancos! Você quer me pôr nessa guilhotina? Não. Nunca tive problemas com ninguém.
Não até o momento. Escuta garoto. Onde você esteve
nos últimos trinta anos? Onde esteve? Onde? – Acho que pode imaginar.
– Onde esteve? Isso não vem ao caso. Você tinha dezesseis anos… e não estava em lugar algum. – Isso não importa.
– Por que não importa? Escuta, ninguém está bravo com você. Ninguém? Querem me matar como a um rato! – Eu?
– Não você, mas os donos me acusam! Você disse que o seu avião
caiu três vezes. Você não teve algum dano mental
por causa disso? – Sim, ele tem.
– Não teve problemas por causa disso? – Aqui estão os papéis sobre isso.
– Eu sei que ouve o choque… Estou perguntando se
você sofreu algum dano mental. Meu filho,
eu fui tenente da força aérea. Matei, disparei e destruí também. Mas você não estava em parte alguma
durante esse tempo. – Eu estive em algum lugar.
– Em lugar algum! Te alistaram aos dezesseis, garoto.
Os oficiais te esbofetearam. – É suficiente!
– Pra você também! Fiquem aí vocês dois! – Você, não!
– O quê você está pensando? Você não deve brigar na hospedaria. Vou morder a sua garganta! – Sabe como é, ele vem aqui…
– 14 mil… Estou certo que você pagará sua dívida.
Não brigue. Eu pagarei! Se não puder pagar, venderei minha casa
em Ófehértó e pagarei o banco! Seu azarado! Por que me chama de azarado? Porque você é um animal azarado como eu! Está vivendo aqui comigo! Por que você não tem uma vida e
um lar como os outros trabalhadores? Me responda! Sua vida também não está arruinada? Ou você arruinou a si mesmo, garoto. – Não fale assim!
– Ficarei calado. Tudo bem? Me deixe em paz! Você tem sorte que estamos aqui. Teus minutos estão contados.
Por que você briga com a gente? Empacote as suas coisas! Você não deve falar
com um homem dessa maneira. Ele irá amanhã de manhã. Sabe de uma coisa, homem? Vou embora. – Você deve ir!
– Mas eu te digo algo. Camaradas! Não vamos brigar. Camarada Szepesi, eu
pedi que juntasse suas coisas e fosse! Por favor senhora, me desculpe. Estou indo, como você deseja,
não vou encarar a lei e as autoridades. Mas tenho algo a dizer
para estes ratos! Por favor, não fale assim. Você está bêbado e não deve falar
com as pessoas assim. – Me diga quando estive sóbrio!
– Nunca, esse é o problema. Fui um rato quando te ajudei? – Fui um rato?
– Não discuta, tio Sanyil! Eles roubaram comigo,
malditos filhos da puta! Quem roubou contigo?
Quase acreditei nisso! Por favor, colegas não discutam. Acabou a conversa!
Deixe a hospedaria! Considere feito, vou embora
em cinco 5 minutos. Mas, antes, tenho algo a dizer
neste prostíbulo! Você tem o direito,
mas não aqui e não agora. Pegue as suas coisas
e parta da hospedaria… A conversa acabou,
deixe os outros descansarem. Como você quiser. Você é a autoridade aqui. Você disse coisas estúpidas.
Por que não pensou antes? Eu não fiz nada demais! Só perguntei a estes animais
por que me traíram quando estava bêbado! Porque devem te trair
quando está assim! Chega, seu pedaço de merda! – Seu patife.
– Você tem razão. – Também fui um cagueta aos 28 anos.
– Eu não tenho 28 e não sou cagueta. Você será! – Se você continuar assim.
– Como você se tornou um? É fácil falar nesta situação! Você fez o mesmo e logo me traiu! Me entregue à “Sárika!”
A essa inspetora! Não a ofendas! Talvez você tenha algo a ver
com o caso do motor… Esqueça isso! – … para voltar pra sua esposa.
– Se não se importa, fico com sua cama. Filho, solte as minhas coisas ou eu vou
terminar a nossa trégua! Me desculpe. Eu não quis te ofender. Eu também não quero te ofender,
mas você é um rato! Merda! Oh, isso foi estúpido. Olha, esqueça os últimos dez minutos. Te expulsaram, você foi chutado,
não vá em uma ambulância. Vá embora, senhor. Sinto muito. Filho, eu comia crianças como você
no café da manhã. Você faz isto por que me transformei
num velho bêbado? – Vamos nos despedir em paz.
– Não estou te dando a mão, senhor. Tome os cheques! Se manda! Vá embora! Se for a outro lugar, também
te expulsarão de lá. – Você vai me expulsar a pontapés?
– Tome cuidado. Você tome cuidado! Somente espere!
Sua hora também vai chegar! Eu não tenho problemas com você. Por que está criando confusão? Como você pode fazer isto com um velho?
Não tem vergonha? Por que você está fazendo isso? Por que você não gostou quando
te disse para ir… Você está expulsando um
velho? Não se envergonha? Tenho razões para me preocupar. Se ele não pagar,
o banco virá atrás de mim. Você está expulsando um velho? Camaradas, já chega. Camarada Szepesi,
junte as suas coisas e não chore agora. Você chora em vez de ir. De acordo, senhora. Eu vou. Pegue suas coisas e vá!
Não discuta! Você acha que estou fingindo?
Caro irmão, olhe pra isso! Você tem um papel como esse?
Duvido que tenha. Não deve ter, mas eu tenho. Você entende?
Levaram minha alma dessa vez! – Sempre achei que fosse mentira sua.
– Nunca menti! Eles é que mentem! Vamos, meu cão,
nós nos vamos daqui! Escola György Kilián
para oficiais da aeronáutica. É verdade. Você nem sabe quem foi Kilián! – Nem sequer deve conhecer seus pilotos!
– Você acha que sou muito idiota? Não penso isso! Como pode um ex-oficial ser expulso
por roubar? Meu Deus, imperadores e reis não roubam?
Somente um ex-oficial? Já está na hora, por favor,
venha comigo. Deus te abençoe, meu amigo!
Até breve! Adeus, senhor.
Deus te abençoe!